O arquiteto Paulo Alves (foto) buscou na marcenaria a fonte para colocar em prática suas ideias de sustentabilidade. Hoje, o discípulo da modernista Lina Bo Bardi se tornou referência como designer, ao desenvolver inúmeros e diferenciados produtos utilizando madeiras certificadas e aproveitando sobras. Em seus projetos, usa referências da própria natureza - árvores, florestas, paisagens - para criar inovações como a cadeira Atibaia, premiada na Mostra da Casa Brasileira em 2009. Ele foi o convidado do último bate-papo promovido pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura de Santa Catarina (AsBEA/SC), no dia 28 de junho, com patrocínio da Santa Maria Casa, no Shopping Casa & Design, em Florianópolis.
Alves se interessou desde cedo pela marcenaria, prática que influenciou diretamente seu trabalho. Depois de anos trabalhando no escritório de Lina Bo Bardi, trabalhou na fábrica paulistana Baraúna, onde aguçou o senso de aproveitamento dos materiais. Hoje conta com um ateliê no bairro do Cambuci, região central de São Paulo, seu laboratório de produtos com design diferenciado e sempre com madeira retirada do manejo florestal sustentável. "A sustentabilidade começa em casa", prega Alves, "pois é um exemplo que acabamos passando para os filhos, família e clientes. E isso irradia feito uma onda".
Por falar em casa, foi em sua própria residência que o arquiteto desenvolveu um trabalho que se tornou referência e venceu o prêmio Planeta Casa 2007, na categoria Design de Interiores. No espaço de 42m², utilizou inúmeras soluções como unificação de ambientes, paredes como espaço para brincadeiras e sofá que se transforma em cabana, um dos locais prediletos de seus três filhos. "Gosto de unir peças diferentes, o novo com o antigo, o reto com o curvo. É uma das influências da Lina no meu trabalho", reflete Alves.